Quando a mudança…

está à distância de um click num botão…é porque é ele, o Álvaro

Damos marmitas aos pobres

Eles pensarão que a ideia até é boa. Mas não é. Quanto entramos no campo das 950 cantinas sociais, os direitos dão lugar à caridade. A caridade é um favor, que fica ao abrigo da arbitrariedade. A caridade perpetua e agrava a doença, não a cura. A caridade, em suma, é a boa consciência da direita, mas infelizmente a calamidade dos pobres.

“Nas suas oposições e complicações oferece a

sociedade civil o espectáculo da devassidão, bem como o
da corrupção e da miséria”. (Hegel, Princípios da Filosofia do Direito)

aforismo ad nauseum

Onde o D. Quixote via moinhos de vento, o Correio da Manhã vê separadores para táxis.

 

Portugal, felizmente, não é a Helena Matos

Quando a Helena Matos acusa os gregos de terem vivido acima das suas possibilidades, não há como não imaginar a senhora sempre muito poupada, amiga da frugalidade e até muito dada à economia de escala. Sempre que pode, Helena Matos come porco e não vaca. Sempre que pode, Helena Matos recolhe a Quarteira, e não ao Adriático, para dar pausa ao corpus complexo dos seus conceitos. Sempre que pode, Helena Matos organiza refeições colectivas no condomínio, para demonstrar as virtudes da economia de escala.

Tudo isto teria piada se a Grécia não estivesse à beira de ser tomada por uma Junta Militar. Tudo isto teria piada se Helena Matos não fosse hipócrita e desonesta intelectualmente e, enfim, admitisse que também foram os seus comparsas ideológicos indígenas a contribuírem para esse conceito desconcertante, de tão genial, que é o de “viver acima das suas possibilidades”.

Além de não ter piada, chega a ser triste e confrangedor que esta gente lorpa – mas armada em sofisticada – utilize com gáudio o exemplo da miséria grega para fazer valer os seus argumentos. Mais triste é que, sendo-lhe impossível sair do breviário que é o seu pensamento, a Helena não consiga pensar ou sequer conceber Portugal sem ser numa dimensão de menoridade. Porque, para a Helena Matos, tudo se resume a poucas coisas: “Portugal não é a Grécia” e “Portugal está a fazer o trabalho de casa”. Brilhante!!

 

Às vezes precipito-me

Sendo este livro co-escrito pela jornalista Tânia Laranjo, julguei que o título se relacionava com o homicídio do código deontológico dos jornalistas…

… mas depois dei uma vista de olhos ao convite e olha… percebi que não.

Subtilezas neandertais

No gabinete de Relvas as estratégias de spin são delineadas com o tacto, a subtileza e a atenção ao detalhe  próprias de um registo neandertal. E os resultados dessa abordagem estão para uma boa estratégia comunicacional como o futebol do Boavista de Jaime Pacheco estava para o futebol do Barça de Pep Guardiola. Em suma, e para manter a metáfora futebolística, podemos dizer que no gabinete de Relvas faz-se uma comunicação de pelado, orientada por um Martelinho que sonha ser o Messi.

Vem esta reflexão a propósito desta (lamentável e vergonhosa) notícia publicada pelo pasquim do regime, acerca do custo de Pedro Rosa Mendes na agência Lusa. Percebe-se a urgência da «fonte» não citada: era preciso pôr em funcionamento a máquina para desacreditar o homem que acusava a tutela e a administração da RTP de censura. Sucede que a «fonte» não citada nesta notícia prestou ao CM precisamente as mesmas informações e valores contratuais que outras fontes, então profusamente citadas pelos media, forneceram há cerca de 5 meses, aquando da suspensão do contrato de Pedro Rosa Mendes na Lusa. E sucede também que essas fontes de então, citadas em todo lado, foram o administrador da Lusa, Afonso Camões, e o próprio gabinete do ministro Miguel Relvas.

Que isto volte novamente a lume, nesta fase, mas sob a capa da «fonte anónima», é um fenómeno anedótico. Mas que o boletim Retalis embarque nisto sem se questionar e assumindo de peito feito a missão de evangelizar o povo… isso já roça o nojo.

“Os líderes europeus estão empenhados em fazer tudo o que for preciso para ultrapassar a crise” (Herman van Rompuy, aquele senhor com ar de Gremlin que ninguém sabe nem quer saber quem é).