Portugal, felizmente, não é a Helena Matos

Quando a Helena Matos acusa os gregos de terem vivido acima das suas possibilidades, não há como não imaginar a senhora sempre muito poupada, amiga da frugalidade e até muito dada à economia de escala. Sempre que pode, Helena Matos come porco e não vaca. Sempre que pode, Helena Matos recolhe a Quarteira, e não ao Adriático, para dar pausa ao corpus complexo dos seus conceitos. Sempre que pode, Helena Matos organiza refeições colectivas no condomínio, para demonstrar as virtudes da economia de escala.

Tudo isto teria piada se a Grécia não estivesse à beira de ser tomada por uma Junta Militar. Tudo isto teria piada se Helena Matos não fosse hipócrita e desonesta intelectualmente e, enfim, admitisse que também foram os seus comparsas ideológicos indígenas a contribuírem para esse conceito desconcertante, de tão genial, que é o de “viver acima das suas possibilidades”.

Além de não ter piada, chega a ser triste e confrangedor que esta gente lorpa – mas armada em sofisticada – utilize com gáudio o exemplo da miséria grega para fazer valer os seus argumentos. Mais triste é que, sendo-lhe impossível sair do breviário que é o seu pensamento, a Helena não consiga pensar ou sequer conceber Portugal sem ser numa dimensão de menoridade. Porque, para a Helena Matos, tudo se resume a poucas coisas: “Portugal não é a Grécia” e “Portugal está a fazer o trabalho de casa”. Brilhante!!

 

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