Às vezes precipito-me

Sendo este livro co-escrito pela jornalista Tânia Laranjo, julguei que o título se relacionava com o homicídio do código deontológico dos jornalistas…

… mas depois dei uma vista de olhos ao convite e olha… percebi que não.

Subtilezas neandertais

No gabinete de Relvas as estratégias de spin são delineadas com o tacto, a subtileza e a atenção ao detalhe  próprias de um registo neandertal. E os resultados dessa abordagem estão para uma boa estratégia comunicacional como o futebol do Boavista de Jaime Pacheco estava para o futebol do Barça de Pep Guardiola. Em suma, e para manter a metáfora futebolística, podemos dizer que no gabinete de Relvas faz-se uma comunicação de pelado, orientada por um Martelinho que sonha ser o Messi.

Vem esta reflexão a propósito desta (lamentável e vergonhosa) notícia publicada pelo pasquim do regime, acerca do custo de Pedro Rosa Mendes na agência Lusa. Percebe-se a urgência da «fonte» não citada: era preciso pôr em funcionamento a máquina para desacreditar o homem que acusava a tutela e a administração da RTP de censura. Sucede que a «fonte» não citada nesta notícia prestou ao CM precisamente as mesmas informações e valores contratuais que outras fontes, então profusamente citadas pelos media, forneceram há cerca de 5 meses, aquando da suspensão do contrato de Pedro Rosa Mendes na Lusa. E sucede também que essas fontes de então, citadas em todo lado, foram o administrador da Lusa, Afonso Camões, e o próprio gabinete do ministro Miguel Relvas.

Que isto volte novamente a lume, nesta fase, mas sob a capa da «fonte anónima», é um fenómeno anedótico. Mas que o boletim Retalis embarque nisto sem se questionar e assumindo de peito feito a missão de evangelizar o povo… isso já roça o nojo.

É basicamente isto.

“Queriam defendê-lo”, mas “depois calaram-se”

Lida esta análise, a única dúvida que me sobra é como é que um jornalista que faz política, que escreve sobre o PSD e que tem experiência na profissão se presta a:

– primeiro, convidar Relvas para o seu casamento;
– segundo, defender (ou “explicar”) Relvas num artigo desta índole;
– terceiro, achar que as duas anteriores são compatíveis com o exercício da sua profissão;

Tirando isso, está tudo do cacete. A picanha hoje até fervia de boa.

Inquietação

O “caso” PedroRosa Mendes fez crescer em mim uma pequena dúvida, que a espuma dos dias noticiosos entretanto transformou em enorme inquietação: haverá alguma justificação para o facto de os mártires da liberdade de expressão da anterior legislatura ainda não se terem pronunciado publicamente sobre este incidente? Onde andam Mário Crespo e Manuela Moura Guedes? Estarão com falta de tempo? Ou falta de oportunidade? Se for esse o caso, se nenhum jornalista lhes telefona para dar voz à sua expectável fúria anti-fascista, porque não usam os seus espaços de opinião no Expresso e no CM para abordar o assunto?

Mudando de assunto… ‘tá frescote, não está?

Não, não é um passatempo de excêntricos…

… é apenas um pretexto para brincadeiras de meninos queques.

Poderia compilar aqui uma série de argumentos para mostrar por A + B que o manifesto que pretende “restaurar a monarquia” é uma manifesta imbecilidade. Mas acho que nos dias que correm – e na fase que o país vive – essa é uma daquelas evidências que não carece sequer de suporte argumentativo, tamanho é o disparate travestido de proposta.

A única coisa verdadeiramente preocupante no meio de tudo isto é pensar que são muitos destes carentes intelectuais que formam a “massa pensante” da maioria que suportou a eleição do triste governo que nos desgoverna. Mas bem vistas as coisas, não se pode dizer que exista propriamente uma surpresa nessa relação. Certo? Pois.