“Os líderes europeus estão empenhados em fazer tudo o que for preciso para ultrapassar a crise” (Herman van Rompuy, aquele senhor com ar de Gremlin que ninguém sabe nem quer saber quem é).

 

“Obrigado, padrinho!” “E, veja lá, não me dê um tiro nos cornos”. Entretanto Ferreira Fernandes, sempre inteligente, pergunta: “vai um Metaxis?“. Já Francisco José Viegas, na qualidade de divulgador da cultura, faz renascer personagens do Eça e dá a conhecer ao mundo um renovado Eusebiozinho.

 

É basicamente isto.

“Queriam defendê-lo”, mas “depois calaram-se”

Lida esta análise, a única dúvida que me sobra é como é que um jornalista que faz política, que escreve sobre o PSD e que tem experiência na profissão se presta a:

– primeiro, convidar Relvas para o seu casamento;
– segundo, defender (ou “explicar”) Relvas num artigo desta índole;
– terceiro, achar que as duas anteriores são compatíveis com o exercício da sua profissão;

Tirando isso, está tudo do cacete. A picanha hoje até fervia de boa.

Inquietação

O “caso” PedroRosa Mendes fez crescer em mim uma pequena dúvida, que a espuma dos dias noticiosos entretanto transformou em enorme inquietação: haverá alguma justificação para o facto de os mártires da liberdade de expressão da anterior legislatura ainda não se terem pronunciado publicamente sobre este incidente? Onde andam Mário Crespo e Manuela Moura Guedes? Estarão com falta de tempo? Ou falta de oportunidade? Se for esse o caso, se nenhum jornalista lhes telefona para dar voz à sua expectável fúria anti-fascista, porque não usam os seus espaços de opinião no Expresso e no CM para abordar o assunto?

Mudando de assunto… ‘tá frescote, não está?

Quando se teima em não querer sair de uma moita católica para rubricar sequer um esboço de pensamento, dá merda, dá nisto. Que a direita é um tanto básica a pensar já nós sabíamos. Mas não queríamos acreditar que fosse tão pateta ou, se preferirem, idiota.

A fome absoluta

Estou esganado de fome, mas não é da crise. A crise não pode ser uma variável absoluta. Não explica tudo, e invocá-la em abundância rouba-nos a criatividade. Neste caso, trata-se mesmo liberdade de escolha. Se eu invocasse agora a crise para explicar a minha fome, não estaria a ser sincero, e a afirmação seria uma farsa epistemológica. Não havendo uma variável absoluta para o comportamento humano, por mais categórica que seja, mesmo tratando-se da crise, cabe-me olhar para o fenómeno sob vários ângulos.

Vem isto a propósito de outra liberdade, a de expressão. Sendo elevada, esta é uma categoria que tem de ser bem tratada, acarinhada e protegida. O pior é quando se invoca um valor tão crucial como este para obter dividendos políticos ou para alimentar agendas próprias. Uns, fazendo-se de vítimas. Outros, políticos, apontando logo armas ao inimigo, aquele que antes os acusou de fazer o mesmo. A liberdade de expressão, nestes casos, torna-se variável absoluta. E há quem sabendo disso, se aproveite.

Não gosto, por exemplo, de ver antigos directores de jornais a afirmar, em público e na presença de jornalistas, que um outro ex-director de um meio de informação foi alegadamente comprado pelo ex-primeiro-ministro, partindo a acusação apenas de testemunhos de terceiros. Dito isto, confesso que me apraz mais uma liberdade difusa e pensada, ou seja, que coloque as coisas em pespectiva. Foi triste ver no passado uma senhora relatada como vítima absoluta de censura. Meses mais tarde andou a trabalhar na sombra para tramar o ex-patrão, impedindo-o de ir para o Governo. E os media, que vendem o culto da liberdade absoluta de expressão, são os próprios a  construir uma realidade maniqueísta. Os bons e os maus. O herói e o censor. O que também faz vítimas, mesmo podendo ser inocentes dos desvarios públicos de alguns.

Falando do caso mais presente, não sei se Rosa Mendes foi censurado. Por uma razão simples: invocar em abundância o mesmo argumento, retira-lhe credibilidade. Talvez, para mim, que no passado ouvi Manuela Moura Guedes  a falar da intervenção do Rei de Espanha num alegado processo de saneamento, a liberdade de expressão se tenha tornado um valor bastante relativo. E ainda bem, pois tenho a liberdade de desconfiar. E ainda mal, pois começamos a tornar coisa chã esse valor tão nobre da nossa democracia.

Regressando a valores absolutos, os pobres, sim – não têm liberdade de escolha para escolher um momento em que possam passar fome. Vivem, com numa versão má da República de Platão (que, já de si, é má), em privação perene e absoluta, sem tempo para esmiuçar o valor do verbo e da palavra. Esta sim, talvez seja de momento a causa absoluta. E talvez seja também o tempo de remover quem foram e estão a ser os causadores desta mesma causa absoluta: ter pelo menos algum pão para se viver com dignidade, nem que esta seja relativa.

Não, não é um passatempo de excêntricos…

… é apenas um pretexto para brincadeiras de meninos queques.

Poderia compilar aqui uma série de argumentos para mostrar por A + B que o manifesto que pretende “restaurar a monarquia” é uma manifesta imbecilidade. Mas acho que nos dias que correm – e na fase que o país vive – essa é uma daquelas evidências que não carece sequer de suporte argumentativo, tamanho é o disparate travestido de proposta.

A única coisa verdadeiramente preocupante no meio de tudo isto é pensar que são muitos destes carentes intelectuais que formam a “massa pensante” da maioria que suportou a eleição do triste governo que nos desgoverna. Mas bem vistas as coisas, não se pode dizer que exista propriamente uma surpresa nessa relação. Certo? Pois.